quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A “C” é chefe. Foi a minha chefe. Mudaram-lhe a equipa, depois de ter ensinado tudo o que sabia a uma equipa, deram-lhe uma equipa nova. Passa o dia a ensinar a nova equipa. A responder a e-mails, a ensinar como se fazem as coisas, a esclarecer dúvidas, a fazer relatórios e tudo o mais que mandam fazer.
Durante o dia vem o “E” e faz da “C” psicóloga, pede conselhos, queixa-se e pede apoio. No fim do dia, vem o “D” e queixa-se do “E” à “C”, que o “E” não lhe liga, que não sabe o que fazer, que não gosta da equipa, que é injusto e quantas mais cusquices tiver para contar.

Mais ao fim do dia, depois de quase todos se terem ido embora, aparecem ainda o “F” e o “G” e sentam-se um de cada lado da “C” e queixam-se, dizem-lhe que ela não percebe, falam mal dos anteriores, do trabalho e da vida… 

A “C” sai tarde, ouviu toda a gente, teve disponibilidade, porque ter disponibilidade é muito importante, é um factor muito valorizado. E eu vou para casa de coração apertado. Queria que a “C”, que, mais que chefe, sempre foi líder, sempre ajudou, sempre ensinou, fosse feliz, fosse ouvida e tivesse mais tempo para ela. Por vezes, antes de me ir embora, vou-lhe dar um abraço ou um beijinho. Pergunto se posso ajudar. Não posso fazer mais. Posso desejar que um dia ela tenha tudo o que mereça e seja muito feliz.

2 comentários:

redonda disse...

A "C" parece ser uma pessoa incrível e com muita paciência (ao final do dia, se fosse comigo, acho que mandaria todas essas letras dar uma volta) e que só por isso já merece ser muito feliz :)

Girl in the Clouds disse...

Realmente merece melhor, coitada!!